Fronteira
E agora aqui estou eu no escuro contando os meses, dias, horas que ainda há para perder Se não se conta apenas se adormece mas é preciso lembrar para colocar de lado e é preciso esquecer para sonhar e poder progredir bem acordada
Não é o tempo presente que voa é o tempo passado que afunda imerge, empalidece e perde nitidez de novo e de novo todos os dias corroído
Não se coloque em meu papel Não tente entender apenas me ponha em teu lugar porque sozinha não consigo não caibo e não entendo
E não quero que me compreendam eu é que quero compreender e permanecer oculta na névoa do questionamento alheio
Me devolva minhas fotografias desfaça o trabalho do tempo para que eu possa ver o que sem querer fui deixando cair pelos caminhos que escolhi traçar
E quanto à lembrança, então, juntar os pedaços, remontar a história a análise correta e escrever um poema sobre ela E aí sim, que eu possa, sem culpa deixá-la cair por aí Em algum canto pelo caminho Um canto ao qual eu não vá mais voltar.
(o quarto está escuro e a pilha da lanterna está falhando. Não quero narrar o que se passou comigo esses dias. Estou esgotada e quero ir embora daqui. Perdi de vista meu objetivo muito antes de poder chegar. Mas quem sabe amanhã o dia amanheça ensolarado, tudo pareça mais fácil e decisões pareçam mais leves.) Beer Sheva (Israel), 9 de fevereiro de 2004, aproximadamente 5 da manhã.... Talvez um dia eu dê muita risada disso tudo, mas por enquanto esse dia me parece muito distante.
Escrito por Deka às 00h03
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